Rio Negrinho

O projeto do Centro de Formação Regional do MST em Rio Negrinho parte do que foi a primeira aproximação do Ateliê Modelo de Arquitetura com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Este contato, que em 2007 era ainda embrionário entre coletivos acadêmicos, se deu de forma voluntária através de uma visita dos integrantes ao assentamento Domingos Carvalho na cidade de Rio Negrinho/SC. Localizada no planalto norte do estado de Santa Catarina, a cidade contava com quase 250 famílias organizadas em sete assentamentos no município; ao passo que o assentamento Domingos Carvalho, criado em 1996, contava com 34 destas. 

O repasse de terras feito a partir de uma fazenda que ali existia delimitou, assim, 35 lotes – um para cada família e o último sendo dedicado a um espaço comunitário e coletivo. A estrutura deixada pela antiga ocupação permitiu a ocupação das antigas instalações por diversos programas, como cultos religiosos, reuniões, creche, depósito, escritório e técnicos do Incra. Seus mais de 5 hectares, entretanto, não eram eficientemente aproveitados pela falta de planejamento, ainda que já fosse utilizada enquanto área de lazer. 

Antigas dependências 

Conjuntamente, havia o desejo de constituir o assentamento Domingos Carvalho enquanto um Centro Regional de Formação, sediando eventos e cursos educativos de jovens e adultos, além de diversas atividades vinculadas à produção agroecológica. Sua centralidade geográfica permitia o fácil acesso das famílias da região do município e do planalto norte, além de ampliar a permeabilidade do movimento social em nível nacional. Esta vontade já começava a ser materializada com o desenvolvimento, à época, de uma fábrica de conservas e doces, que pretendia a afirmação dos trabalhadores rurais naquela região, a valorização da produção familiar e comunitária, e o fortalecimento do movimento e das rendas de suas famílias. 

O AMA se insere, assim, num contexto de busca de potencialização deste espaço. O objetivo seria, assim, o de inicialmente concluir o anteprojeto do planejamento de uma área comunitária que englobasse centro de formação, cultura e convivência, assim como áreas de lazer do assentamento – visando assim a qualificação propícia do espaço físico, ambiental e habitacional. É importante destacar que esta intervenção do Ateliê Modelo de Arquitetura se deu de forma articulada, sempre considerando a premissa de um projeto que viesse avançando e se desdobrasse em novas fases – considerando a construção de escolas, áreas esportivas e alojamentos, por exemplo. 

Reunião

Esta abordagem permitiria a condução firme da metodologia de processo extensionista popular e voltado à dialogicidade, integrando diversas áreas de intervenção em um processo contínuo de revisão e reinterpretação por parte dos agentes atuantes – neste caso, movimento organizado, técnicos e acadêmicos. Este processo se deu através de visitas à campo, promoção de dinâmicas e processos lúdicos, realização e participação em assembleias, etc. Foram desenvolvidos, assim, diversos estudos em nível de desenho e de modelagem.

O trabalho em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra construiu no AMA a compreensão de uma nova realidade socioeconômica cultural e ambiental, onde puderam ser apreendidos conceitos e ideais vastamente trabalhados dentro das bibliografias essenciais do Ateliê, principalmente concernentes à obra de Paulo Freire. A compreensão da complexidade social dos assentamentos também foi importante foco nesse processo de construção extensionista, bem como a introdução – pouco evidente nas ementas acadêmicas – do processo de construção e produção projetual na realidade rural. 

Orientador: Américo Ishida

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