Ponta Do Leal 2018

O projeto surge de uma cooperação entre o Ateliê Modelo de Arquitetura e o Conselho do Residencial Ponta do Leal, tendo em vista a necessidade de continuidade, de forma crítica, da experiência participativa da equipe acadêmica do AMA com a comunidade local. 

No primeiro semestre de 2012,  o Ateliê Modelo trabalhou com a elaboração um projeto habitacional acompanhando o processo de resistência e organização dos moradores. Ao final desse processo, a comunidade optou pelo projeto apresentado pela prefeitura, por de certa forma atender melhor às necessidades dos moradores naquele momento. Executado pelo Programa MCMV (Minha Casa Minha Vida) e entregue aos moradores no início de 2019, foram identificadas algumas pendências no projeto em relação aos espaços de convivência e lazer.

É neste contexto que, no final do ano de 2018, os moradores da Ponta do Leal procuram novamente o AMA buscando a readequação do condomínio para atender demandas como: a falta de um espaço comunitário e áreas voltadas para idosos, crianças e mulheres.

A comissão de Projeto da Ponta do Leal prevê o planejamento e execução de um centro comunitário e a readequação da área interna, com intervenções paisagísticas. Além da execução de um projeto arquitetônico, propõe-se valorização da memória coletiva e união entre os moradores. Os objetivos a serem alcançados vão desde questões que transpassam o âmbito do projeto em si e da construção de uma edificação, até a integração do espaço e da comunidade no entorno. 

Objetivos do projeto de extensão

  • Elaborar um anteprojeto arquitetônico e posteriormente um projeto executivo;
  • Readequar a área condominial associada a estratégias de auxílio à renda familiar, como hortas comunitárias;
  • Realizar intervenções paisagísticas no entorno do condomínio as quais reforçam a relação da comunidade com a praia e que se transforme num espaço de lazer que integre a vizinhança;
  • Contribuir para formação de alunos qualificados a analisar os diferentes modos de morar e sua relação com o ambiente construído, atentos à dinâmica entre a habitação e o meio urbano e às necessidades específicas da população de baixa renda;
  • Aperfeiçoar as metodologias participativas de concepção e execução do projeto arquitetônico partindo da análise crítica de experiências anteriores no Brasil e em outros países e contribuição para o debate sobre políticas habitacionais;
  • Acompanhar o processo de adaptação ao condomínio em parceria com alunos das áreas de psicologia e ciências sociais;
  • Registrar a história atual e pregressa envolvendo o curso de arquitetura e urbanismo, a comunidade e diferentes agentes na luta pela moradia na região da Ponta do Leal;
  • Produção de artigos, publicações e relatos de experiência ao longo do projeto.

2019

Logo no início de 2019, os apartamentos foram entregues para os moradores, totalizando 88 famílias no atual Residencial Ponta do Leal. O espaço conta com algumas vagas de estacionamento, uma guarita e um espaço de lazer no térreo destinado às crianças, no entanto o espaço do centro comunitário ficou pendente. A partir disso, foi restabelecido o contato com o AMA, com o principal objetivo de reivindicar a cessão das edificações – atualmente ocupadas pela Associação dos Servidores da CASAN (ASCAN) – e o desenvolvimento de uma proposta integrada que contemple as demandas da comunidade. Foram feitas reuniões e conversas com os moradores para criar um vínculo e entender melhor as demandas apresentadas e o processo de mudança para o condomínio, além de acompanhar o processo de adaptação em parceria com alunos do Serviço Modelo de Psicologia da UFSC (SEMPSI) e profissionais da área de ciências sociais. Além do contato com o AMA, o Conselho de Moradores da Ponta do Leal também se articulava com a Companhia de Melhoramentos da Capital (COMCAP), a Fundação Municipal do Meio Ambiente (FLORAM) e a CASAN, prevendo atividades a respeito da separação do lixo, implementação de composteiras coletivas, minhocário e horta comunitária. Somado a essas entidades foi realizado um mutirão de limpeza da praia, e uma ação porta em porta com o intuito de entender quais moradores gostariam de estar a frente dessas iniciativas e conversar sobre a importância desse trabalho. Todo o processo foi participativo, feito através de reuniões e conversas com todos os agentes envolvidos, buscando sempre o diálogo e a troca de experiências.

Mutirão de Limpeza, realizado em 24 de agosto de 2019, com a participação do AMA, comunidade, CASAN, FLORAM e COMCAP.
Visita à comunidade em 08 de julho de 2019.

2020

Durante o ano de 2020 foram planejadas oficinas e rodas de conversa para a aproximação com a comunidade e o início da elaboração do projeto arquitetônico, assim como a participação dos alunos da disciplina de Assentamentos Urbanos de Baixa Renda no desenvolvimento do projeto, apoiada no projeto ATHIS (Assistência Técnica de Habitação de interesse Social), em convênio com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/SC). Entretanto, com o início do isolamento social, devido a COVID-19, não foi possível realizar as atividades conforme o planejado. Nesse novo cenário, foi preciso adaptar a metodologia de projeto para garantir sua continuidade, as reuniões com moradores e demais entidades envolvidas passou a ser online.
No decorrer das reuniões novas demandas foram somadas ao projeto, assim os esforços se concentraram na horta comunitária. Junto a COMCAP foram realizados seminários e oficinas online sobre compostagem, plantas aromáticas e medicinais. Além disso, o grupo se concentrou na pesquisa sobre o tema buscando referências de hortas comunitárias, discussão sobre a viabilidade de implementação além de formações com entidades como a EPAGRI.

2021

Já em 2021, o planejamento da comissão de projeto da Ponta do Leal se voltou para um foco maior em relação ao centro comunitário. Nesse momento, foi definido, em discussões remotas entre AMA, Associação de Moradores da Ponta do Leal e bairros lindeiros, que o projeto do centro tornaria-se um espaço de uso aberto não só para a Ponta do Leal, mas também para várias comunidades em seu entorno. Dessa forma, estão acontecendo discussões em relação aos próximos passos desse projeto, bem como a análise do local que será projetado e a definição de contatos com várias entidades que atuariam e auxiliariam na promoção da educação, cultura e saúde no local. Consoante a isso, o AMA também se envolveu junto à comunidade nas questões burocráticas da cessão dos anexos, ocupados pela Associação dos Servidores da CASAN (ASCAN), em participações de debates e reuniões com a prefeitura de Florianópolis.

Paralelo a isso, em 2021 a comissão de projeto da Ponta do Leal publicou um artigo na Revista Internacional de Extensão da UNICAMP. Nele, foi relatado os desafios da metodologia participativa diante da pandemia de COVID-19, bem como as perspectivas futuras para a comunicação comunidade-universidade dentro da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Acesse: Arquitetura Participativa como Comunicação Dialógica

Membros

Ana Maria Oliveira, Caio Duarte, Chiara Giambelli, Clara Bragança, Diego Caramez, Geovana Machado, Hellen Sandrini, Isabella Savi, Julia Anacleto, Luíza Laurent, Samla Gonçalves e Sara Vicentini.

Professor Orientador

Lucas Sabino Dias

Lino Peres



Como participar do projeto?

No panorama pandêmico, as reuniões estão ocorrendo por google meets e os links são disponibilizados com antecedência em nosso instagram (@amaufsc). Fique atento às nossas redes sociais!

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