Colégio de Aplicação

O presente projeto de extensão, acordo de cooperação entre o Ateliê Modelo de  Arquitetura e o Colégio de Aplicação, consistiu na readequação do espaço externo do colégio, reservado para atividades esportivas e de lazer, através de um processo participativo, envolvendo toda a comunidade escolar. 

O Colégio de Aplicação, inserido no Centro de Ciências da Educação da UFSC, é uma unidade educacional que atende ao Ensino Fundamental e Médio e funciona em prédio próprio, no Campus Universitário localizado no Bairro da Trindade, município de Florianópolis.

Em 2016, diante da falta de espaços para uso durante intervalos de aula e para a prática de atividades físicas no ambiente escolar e sua acessibilidade para todos os alunos, a Associação de Pais e Professores do Colégio Aplicação (APP) entrou em contato com o Ateliê Modelo para que fosse realizado um projeto arquitetônico para a área externa do colégio. Nele, buscou-se, portanto, a partir de critérios de sustentabilidade ambiental, econômica e social, a reestruturação do espaço externo do colégio, de modo a propiciar a execução de atividade física e a acessibilidade para alunos com deficiência, assim como colaborar na vida diária de toda a comunidade acadêmica que usufrui do espaço. 

Objetivos do projeto de extensão

1. Realizar oficinas participativas de projeto, visando tanto a interação entre diversas instâncias da comunidade acadêmica (alunos, professores, associação de pais, etc) como também a melhoria no espaço de convívio da comunidade; 

2. Elaborar projeto arquitetônico otimizando a utilização de recursos, tanto de construção como de manutenção do espaço, e apropriando-se de aspectos ambientais e topográficos do sítio de implantação aspirando além de economia financeira, diminuir o tempo de obra, visto que o espaço é voltado para alunos e deve estar livre de canteiro de obra durante o período letivo; 

3. Integrar os estudantes com deficiências físicas às atividades desenvolvidas tanto na área externa como na área interna do Colégio de Aplicação, visando uma autonomia desses alunos dentro do ambiente escolar.

Metodologia

O projeto contou com a colaboração de estudantes dos cursos de Arquitetura e Urbanismo (em sua maioria),  Engenharia Sanitária e Ambiental e Engenharia Civil, organizados em comissões e atuando de modo horizontal. Dividiram-se em três eixos de atuação: 

  • 1) Comunicação e Articulação: material gráfico para as atividades e discussões, e material para divulgação e informação; articulação com a comunidade, UFSC e membros.

  • 2) Planejamento e Projeto: Projeto, orçamento e regularização da obra. 
  • 3) Contato com a comunidade e com a obra: acompanhamento da execução do projeto e compra de materiais. 

Do ponto de vista operacional, contou-se com duas frentes de trabalho principais; no âmbito mais teórico tem-se o projeto, o qual conta com pesquisas, textos e métodos de representação gráfica. Já como uma proposta mais prática pretendeu-se trabalhar a execução, através de levantamentos em campo, auxílio no andamento da construção em si e mutirões que levem alunos, pais e professores à construir juntos. 

Procurou-se também fomentar a interdisciplinaridade no processo, como forma de possibilitar um maior grau de articulação e complementaridade de conteúdo e de práticas. Nesse sentido, é importante mencionar a participação do NEAmb (Núcleo de Educação Ambiental do Centro Tecnológico da UFSC), composto, em sua maioria, por estudantes de Engenharia Sanitária e Ambiental, e  do Cheiro Verde, atividade de ensino, pesquisa e extensão na qual são trabalhadas questões ambientais e os conceitos de agrofloresta e plantio consorciado,  que possuem um histórico de trabalhos executados com a comunidade escolar do Colégio Aplicação.

Oficina realizada com a comunidade escolar.

A fim de entender as reais demandas da comunidade escolar, o projeto realizou oficinas e reuniões, que permitiram um contato mais próximo com os alunos, pais e professores. 

A metodologia de trabalho proposta foi pensada a partir de uma visão participativa de projeto social: através de reuniões internas da equipe, contato direto com os professores de diferentes disciplinas do colégio, oficinas com os alunos de diversas idades e mutirões com toda a comunidade acadêmica. Buscou-se, assim, uma dinâmica contínua de diálogo e de troca de conhecimentos entre a equipe do AMA e a comunidade. 


O projeto

Por meio de um processo participativo, o Ateliê Modelo em conjunto com a comunidade escolar, elaborou o projeto executivo de adequação do espaço externo do Colégio de Aplicação. Contou com modificações no parquinho e área de estar e arquibancada e adição de equipamentos promotores da sustentabilidade e acessibilidade.

A acessibilidade para alunos com deficiências foi levantada desde o começo da relação com o Colégio. Ao desenvolver das reuniões com a APP, o parquinho das crianças foi uma área pela qual demonstrou-se grande interesse com a ideia de manutenção de alguns brinquedos existentes e, principalmente, a implantação de novos, focando na integração entre todas as crianças, inclusive aquelas com limitações físicas, para que possam conviver de maneira saudável e segura. 

Desse modo, teve-se, no projeto, o desenho de brinquedos acessíveis, como um balanço adaptado para cadeira de rodas e caixa de areia e escorregador acessíveis. Ademais, a fim de corrigir a inclinação de rampas já existentes, as quais se encontram fora da Norma Brasileira de Acessibilidade – NBR 9050, foram projetadas novas rampas que possibilitem um melhor acesso às mais diversas áreas do Colégio. 

Complementar a isso, por ser um local com terreno acidentado, procurou-se compreender as declividades do terreno e usufruir delas para a melhoria do ambiente físico, tal como focar na acessibilidade dos diferentes locais do colégio. 

Outra questão bastante trabalhada foi a sustentabilidade, verificada no uso de materiais, como bambu e pneus, no aproveitamento eficiente das toras de madeira utilizadas e na busca pelo maior domínio das técnicas de bioconstrução, principalmente na pesquisa inicial para elaboração do projeto. Ademais, optou-se pelo uso de materiais biodegradáveis para construção de brinquedos do parquinho, que, além de promover a sustentabilidade e estimular a interação das crianças com a natureza, contribuem para a redução de gastos.

O projeto foi entregue à comunidade escolar no final de 2018. No entanto, como o Colégio de Aplicação não possuía no momento os recursos necessários para a realização das obras, optou-se pela execução do projeto em etapas, conforme a disponibilidade futura de recursos. 



Membros

Ana Luísa Schoenell,  Arthur Furtado, Bárbara Cristina de Oliveira, Débora Esther Serra Georg Julia Copat, Maria Eduarda Zanella e Mariana Pfleger.

Professor Orientador

Rodrigo Gonçalves