Maratona de Projeto Parque Cultural das 3 Pontas

Maratona de Projeto - Ponta do CoralO Ateliê Modelo de Arquitetura – AMA e o Centro Acadêmico Livre de Arquitetura – CALA da Universidade Federal de Santa Catarina convidam a todos para a Maratona de Projeto do Parque Cultural das 3 Pontas.

A Maratona de Projeto do Parque Cultural das 3 Pontas é uma ação do AMA e do Movimento Ponta do Coral 100% Pública e Parque Cultural das Três Pontas que irá selecionar projetos que revelem a beleza e reforcem a necessidade de se defender a Ponta do Coral como uma área de proteção 100% pública e livre de intervenções descaracterizantes. A Chamada se estende para estudantes, bem como coletivos artísticos, de qualquer nacionalidade, independente do nível de conhecimento ou da profissionalização, a fim de valorizar a pluralidade de olhares e criar um projeto paisagístico interdisciplinar da Ponta do Coral. A Chamada acontece de 25/08/12 a 26/08/12, para que no dia 26/08/12 seja divulgado o resultado. Os projetos selecionados participarão de uma exposição itinerante.

Estaremos recebendo as inscrições até o dia 24/08 através do e-mail: ufscama@gmail.com.

Para se inscrever basta enviar nome completo e número de matrícula ou entidade, para o e-mail, as equipes serão montadas no dia do evento, seguindo o modelo de Maratona de Projeto. 

Proposta da oficina:

A proposta da oficina é de promover um projeto interdisciplinar junto à comunidade, para que ideias e desejos sejam transformados em um desenho concreto para o Parque Cultural das 3 Pontas. O Parque Cultural das 3 Pontas é composto pela Ponta do Coral, Ponta do Lessa e Ponta do Goulart.  

Regras:

As equipes deverão ter membros de pelo menos dois cursos diferentes e no mínimo quatro pessoas. A área de intervenção é compreendida pelas 3 pontas: Ponta do  Coral, Ponta do Lessa e Ponta do Goulart que devem seguir as diretrizes:

Diretrizes gerais do Parque Cultural das 3 Pontas:

Infraestrutura e equipamentos públicos como praças, quiosques, mirantes, observatório, decks, parques infantis, praça para feiras, aquário municipal, entreposto de frutos do mar, duchas e banheiros públicos, academias publicas, ao ar livre, teatro de arena, jardins, bicicletários, via gastronômica.

Geração de trabalho e renda para a população e a economia local, nos setores da pesca artesanal e aquicultura, gastronomia, artesanato, lazer, turismo ecológico, histórico e cultural. Criação de rota de ostras. Capacitação da população local para gerenciamento do parque. Oficinas de pesca e fabricação de tarrafas, mostra de carpintaria naval e outros artesanatos com a implantação de ateliês.

Divulgar e difundir os valores da cultura ilhéu utilizando elementos como: rancho com embarcações típicas, produção e venda de produtos tradicionais, construção de canoas de garapuvu, passeios em embarcações típicas açorianas.

Atividades de educação ambiental para despertar a consciência sobre o meio ambiente. Utilizar mecanismos educacionais, como painéis ilustrando indivíduos da fauna e flora do mangue, mar e costões. Passeios de barco e trilhas ecológicas. Monitoramento ambiental da área, pesquisas científicas sobre a geo-biodiversidade local. Reflorestamento e ajardinamento paisagístico com espécies nativas.

Promover a integração do entorno urbano ao Parque Cultural das Três Pontas. Criar uma rede de mobilidade e acessibilidade entre as três pontas, e nos canais e rios do manguezal e a inserção destas na malha urbana de Florianópolis. Tratamentos das pavimentações apropriadas de integração e revitalização da orla. Construção de passarelas sobre vias, passeios, decks, ciclovias e caminhos, garantindo o acesso às áreas, bem como a desprivatização do acesso a orla da Baía Norte.

Diretrizes específicas de cada Ponta:

Ponta do Coral:

O Projeto do Parque Cultural das 3 Pontas prevê usos públicos e espaços de convívio, garantidos com o retorno do zoneamento para Área Verde de Lazer (AVL). A posição da Ponta do Coral é estratégica para a atividade da pesca artesanal.

Ponta do Lessa:

Atribuição de usos culturais e tradicionais, buscando o zoneamento como Área de Proteção Cultural (APC),

Garantia da conservação dos sítios arqueológicos, integrando a comunidade local ao Programa de Visitação e ressaltando a importância da pesca artesanal e dos usos tradicionais da região.

Ponta do Goulart:

A Ponta do Goulart configura uma elevação entre dois manguezais, o Parque Municipal do Manguezal do Itacorubi e Estação Ecológica Carijós, sendo assim Zona de Amortecimento e grande refugio da rica avifauna local.

Sua riqueza ecológica e cultural justifica a necessidade de conservação da área que tem grande potencial para atividades de lazer monitoradas, apoiadas no conceito de Condução Ambiental e Cultural por trilhas que levam às suas 8 praias, além de passeios ecológicos embarcados.

O projeto deve conter:

No mínimo quatro pranchas em formato A2 contendo um memorial descritivo com o desenvolvimento do conceito do projeto, assim como cada ponta terá que ter no mínimo uma prancha contendo seu projeto  paisagístico.

Programação:

25 de agosto

10:00 | Apresentação da área de intervenção

13:30 | Visita à área de intervenção

15:30 | Início da Maratona

26 de agosto

16:00 | Entrega do projeto

18:00 | Premiação e coquetel de encerramento

Por uma Ponta do Coral 100% Pública!

A Ponta do Coral é a última ponta na região central de Florianópolis – outras foram aterradas para dar espaço aos carros. Parte da Zona de Amortecimento do Parque Municipal do Manguezal do Itacorubi, esta área precisa ser reconquistada pela população no sentido de retomar o contato com o mar. O Projeto do Parque Cultural das 3 Pontas prevê usos públicos e espaços de convívio, como continuação do passeio da Praça Republica da Grécia – Koxixos, garantidos com o retorno do zoneamento para Área Verde de Lazer (AVL).

O grande impulsionador deste projeto foi a recente proposta de empreendimento para a área, onde marinas e estacionamentos complementam grande complexo hoteleiro de porte descomunal, destoando completamente da paisagem natural do entorno.

A Ponta do Coral, também conhecida como Ponta do Recife, é de longa data marco desta cidade. Sua história de relação com a questão urbana se inicia ainda na década de 30, pois ao precisar se afastar da região central da cidade, uma distribuidora de combustíveis ali instala seu depósito.

Uma década depois, por pressão da expansão urbana para além do centro da cidade, novamente a empresa precisa se realocar e a área da Ponta do Coral se torna parte do abrigo de menores da antiga FUCABEM. Décadas mais tarde, surge uma pressão governamental para a venda da área a esfera privada e misteriosamente o prédio principal do abrigo é incendiado. A transação e o incêndio são questionados até hoje. Nos idos dos anos 80 houveram manifestações estudantis e comunitárias para a reconquista da área como pública.

Ocorreram também intentadas de empreendimentos na área, por parte dos proprietários. As licenças nunca foram concedidas pelos órgãos públicos responsáveis e a impressão de abandono e mau uso é propositada, tanto pela prefeitura quanto pelos proprietários.

Na área existe uma comunidade de pescadores, organizados em uma associação. A posição da Ponta do Coral é estratégica para a atividade da pesca artesanal, ainda que o nível de poluição na região seja elevado, dado ao grande crescimento populacional carente de infraestruturas adequadas.

Fonte: Parque Cultural das 3 Pontas

Ponta do Coral

A Ponta do Coral é uma antiga ilhota ligada a terra firme por um aterro, conhecida no inicio do século passado como Ponta do Recife. Ela adentra ao mar da Baia Norte como um Cabo, um promontório assentado numa crista de rocha que faz parte do maciço total da Ilha de Santa Catarina. Lá existem ruínas de dois enormes casarões históricos, usados para depósitos da Standard Oil até a década de 30 e desde esses tempos têm sido um espaço em disputa. Com localização privilegiada, passou por transformações após a construção do aterro da Beira-Mar Norte, que isolou o espaço com a avenida. De vários percalços o terreno chegou a pertencer à Fucabem, um abrigo de menores. Sem uma mínima consulta à população e respeito pelo espaço público, de forma arbitrária, sem nem passar pela câmara de vereadores, o governo resolve vender o terreno para uma empresa de Criciúma. Fato curioso e irregular que gera uma série de manifestações, orquestradas pelos estudantes de arquitetura da UFSC, na área nos anos 80.

Atualmente esse espaço está em foco novamente devido ao projeto da Hantei, uma grande construtora da região, para o local, que prevê aterros, marina para barcos de grande porte e a construção de um edifício de luxo com cerca de 20 pavimentos.  A ponta tem 45 mil metros quadrados, mas apenas 12 mil foram vendidos pois o restante é área de marinha e não poderia ser ocupado.

Em contrapartida a esse projeto existe a proposta popular de manutenção do espaço como público através da criação de um parque. Na cidade de Florianópolis é notada a falta de espaços públicos de lazer. Com exceção das praias, são poucos os lugares realmente públicos, mas mesmo as praias não são suficientes, devido a sua distância, é fundamental a criação de espaços perto do centro da cidade, que podem ser usados pelas pessoas das mais diversas formas. Além da ponta do Coral, nas proximidades encontramos  a Ponta do Lessa e a Ponta do Goulart, também cortadas pela Beira-Mar e que fazem o triângulo da embocadura do manguezal do Itacorubi. As três pontas poderiam servir como uma importante área de turismo ambiental. “Nós podemos construir ali um parque cultural náutico, mas não aos moldes das marinas da Hantei. Seria uma relação náutica com a cultura local, com as populações tradicionais, com os pescadores que seriam os que guiariam as pessoas por dentro do manguezal, com educação ambiental, sem edificações. A Ponta do Goulart tem uma área grande de ninhos que também poderiam ser visitados nas épocas certas para observação, assim como na Ponta do Lessa as pessoas poderiam conhecer os sambaquis, Esse tipo de turismo moveria muito mais renda para a população local do que o proposto pela Hantei, que beneficiaria a um único empresário” (Loureci Ribeiro).

A lógica dos mega-empreendimentos se encontra deslocada da realidade da população da cidade e busca se sustentar de forma artificial. Qual turismo e lazer desejamos para a nossa cidade? Desejamos que a área seja realmente pública, de uso de todos. A Ponta do Coral é um ponto estratégico da cidade, com uma linda paisagem que seria totalmente descaracterizada com a execução de um projeto desse porte. Os impactos de um empreendimento deste porte seriam devastadores, não só de forma ambiental, mas com impacto direto na mobilidade urbana da cidade, visto a geração de tráfego que o empreendimento geraria e na qualidade de vida da população em geral. A região seria um pólo gerador de tráfego e conflito na malha urbana e na mobilidade da cidade, inclusive no leito das Baias Norte e Sul.

Ato em defesa da Ponta do Coral

ato ponta

Com a participação de vários artistas locais e o apoio do AMA, além de várias entidades, ocorreu no aniversário de Florianópolis, dia 23 de março, um ato cultural em defesa da Ponta do Coral.

Na quarta-feira, dia 21 de março,  tivemos um debate sobre a famigerada questão aqui na Arquitetura/UFSC que contou com a ativa participação dos estudantes e de professores, além de pessoas da sociedade em geral. No debate podemos nos envolver melhor com a questão, tendo conhecimento de seu histórico e contexto.

debate

A polêmica da ponta do Coral é antiga, remontando a década de 30 com a Standard Oil, ao abrigo de menores da Fucabem e a venda do terreno nos anos 80 pelo governador (de forma arbitrária, na época da ditadura militar, sem nem passar pela câmara de vereadores ou consulta da população). Dessa época vêm às manifestações orquestradas pelos estudantes da ARQ e muitas polêmicas que não pararam por aí.

A discussão está mais forte agora com um projeto controverso, mas em nenhum momento esse espaço deixou de ser disputado. Questões de zoneamento e de usos têm pairado na polêmica região, que nesse momento culminam numa ampla frente de proteção da área e reivindicação de seu caráter público.

Nesse sentido é fundamental aos estudantes de arquitetura estarem envolvidos nesse processo, que tem tudo a ver com a nossa função, seja como profissional ou cidadão. Fiquem ligados nas movimentações e participem!

Recepção aos Calouros 2012.1: intervenções na Ponta do Coral e no centro de Floripa

Na segunda feira (19/03), os calouros da ARQ foram ao centro de Florianópolis em uma atividade de recepção organizada pelo AMA, CALA e PET/ARQ.
O intuito da atividade era elucidar aos estudantes questões sobre especulação imobiliária, mobilidade urbana e patrimônio histórico e paisagístico.
O roteiro passava por pontos que estão em foco na cidade: a Ponta do Coral, o trapiche da Beira-Mar (quarta ponte), a cabeceira da ponte Hercílio Luz e Parque da Luz.
Além da discussão sobre esses pontos e sua importância na cidade os calouros fizeram intervenções, com a montagem de dois painéis: um mural na Ponta do Coral alertando para as possibilidades de uso e outro mural na cabeceira da ponte, ressaltando sua importância como patrimônio histórico.