Ponta do Coral

A Ponta do Coral é uma antiga ilhota ligada a terra firme por um aterro, conhecida no inicio do século passado como Ponta do Recife. Ela adentra ao mar da Baia Norte como um Cabo, um promontório assentado numa crista de rocha que faz parte do maciço total da Ilha de Santa Catarina. Lá existem ruínas de dois enormes casarões históricos, usados para depósitos da Standard Oil até a década de 30 e desde esses tempos têm sido um espaço em disputa. Com localização privilegiada, passou por transformações após a construção do aterro da Beira-Mar Norte, que isolou o espaço com a avenida. De vários percalços o terreno chegou a pertencer à Fucabem, um abrigo de menores. Sem uma mínima consulta à população e respeito pelo espaço público, de forma arbitrária, sem nem passar pela câmara de vereadores, o governo resolve vender o terreno para uma empresa de Criciúma. Fato curioso e irregular que gera uma série de manifestações, orquestradas pelos estudantes de arquitetura da UFSC, na área nos anos 80.

Atualmente esse espaço está em foco novamente devido ao projeto da Hantei, uma grande construtora da região, para o local, que prevê aterros, marina para barcos de grande porte e a construção de um edifício de luxo com cerca de 20 pavimentos.  A ponta tem 45 mil metros quadrados, mas apenas 12 mil foram vendidos pois o restante é área de marinha e não poderia ser ocupado.

Em contrapartida a esse projeto existe a proposta popular de manutenção do espaço como público através da criação de um parque. Na cidade de Florianópolis é notada a falta de espaços públicos de lazer. Com exceção das praias, são poucos os lugares realmente públicos, mas mesmo as praias não são suficientes, devido a sua distância, é fundamental a criação de espaços perto do centro da cidade, que podem ser usados pelas pessoas das mais diversas formas. Além da ponta do Coral, nas proximidades encontramos  a Ponta do Lessa e a Ponta do Goulart, também cortadas pela Beira-Mar e que fazem o triângulo da embocadura do manguezal do Itacorubi. As três pontas poderiam servir como uma importante área de turismo ambiental. “Nós podemos construir ali um parque cultural náutico, mas não aos moldes das marinas da Hantei. Seria uma relação náutica com a cultura local, com as populações tradicionais, com os pescadores que seriam os que guiariam as pessoas por dentro do manguezal, com educação ambiental, sem edificações. A Ponta do Goulart tem uma área grande de ninhos que também poderiam ser visitados nas épocas certas para observação, assim como na Ponta do Lessa as pessoas poderiam conhecer os sambaquis, Esse tipo de turismo moveria muito mais renda para a população local do que o proposto pela Hantei, que beneficiaria a um único empresário” (Loureci Ribeiro).

A lógica dos mega-empreendimentos se encontra deslocada da realidade da população da cidade e busca se sustentar de forma artificial. Qual turismo e lazer desejamos para a nossa cidade? Desejamos que a área seja realmente pública, de uso de todos. A Ponta do Coral é um ponto estratégico da cidade, com uma linda paisagem que seria totalmente descaracterizada com a execução de um projeto desse porte. Os impactos de um empreendimento deste porte seriam devastadores, não só de forma ambiental, mas com impacto direto na mobilidade urbana da cidade, visto a geração de tráfego que o empreendimento geraria e na qualidade de vida da população em geral. A região seria um pólo gerador de tráfego e conflito na malha urbana e na mobilidade da cidade, inclusive no leito das Baias Norte e Sul.

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